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Open everything e integração digital

Open everything e integração digital

O open everything trata de negócios que requerem um grau de integração adequado por parte da empresa para consumir, orquestrar e expor serviços digitais de negócios. Para tanto, a empresa precisa definir ou aprimorar a sua estratégia de integração digital. Um ponto chave é saber onde a companhia está para poder tomar a decisão de para onde deve ir em termos da integração digital requerida pelo open everything.

A integração digital de uma empresa pode estar em diferentes estágios, segundo a norma ISO/IEC 16680 (ISO/IEC, 2012). Observe-se:

  • SILO è Cada parte da organização desenvolve seus próprios softwares de forma independente, sem integração de dados, processos, padrões ou tecnologias.
  • INTEGRADO è São empregadas tecnologias para fazer a comunicação entre os silos, mas em padrões de dados ou processos.
  • COMPONENTIZADO è Os silos de sistemas foram quebrados em componentes, que permitem novas configurações de sistemas e algumas análises limitadas sobre as funcionalidades de negócio desses componentes.
  • SERVIÇOS è Os aplicativos compostos são construídos a partir de serviços fracamente acoplados. A maneira como os serviços podem ser chamados é baseada em padrões abertos e é independente da tecnologia de aplicação subjacente.
  • SERVIÇOS COMPOSTOS è Neste nível de maturidade de serviço é possível construir um processo de negócios para um conjunto de serviços que interagem entre si, não apenas por desenvolvimento sob medida, mas pelo uso de uma composição ou linguagem de modelagem de processos de negócios, como BPEL (Business Process Execution Language).
  • SERVIÇOS VIRTUALIZADOS è Os serviços de negócios e de TI agora são fornecidos por meio de uma fachada – um nível de invocação. O consumidor do serviço não invoca o serviço diretamente, mas pela invocação de um “serviço virtual”. A infraestrutura executa o trabalho de conversão da chamada virtual em uma chamada física do serviço real e pode, como parte dessa conversão, alterar o endereço, a rede, o protocolo, os dados e o padrão de sincronização contido na chamada.
  • SERVIÇOS QUE SE RECONFIGURAM DINAMICAMENTE è Antes deste nível, a montagem do processo de negócios, embora ágil, é realizada em tempo de projeto pelos desenvolvedores (sob a orientação de análises de negócios e gerentes de produto). Agora, neste estágio, essa montagem pode ser realizada em tempo de execução, seja com o auxílio dos analistas de negócios, por meio de ferramentas adequadas, ou automaticamente pelo próprio sistema, conforme o contexto de uso.

Avançar o grau de integração requer uma estratégia que vai além da aquisição de insumos computacionais; é preciso atuar em diversas camadas da organização para que a integração computacional realmente gere resultados em termos de negócios.

A norma ISO/IEC 16680 (ISO/IEC, 2012) faz o relacionamento entre os níveis de integração e as camadas da organização, inspirado no TOGAF (Group, 2021), de forma que seja possível identificar o nível de integração de cada camada. Assim, há clareza do ponto em que a organização se encontra em termos da integração das suas diversas camadas, inclusive as relacionadas a aspectos digitais, conforme ilustra a figura a seguir:

Com o uso da ISO/IEC 16680, é possível saber onde a empresa se encontra em termos do nível de maturidade da integração vigente e definir, a partir dos objetivos de negócio, qual é o grau de integração requerida pelo “open X” desejado pela organização e, assim, ter clareza da estratégia a ser seguida para obter o resultado dos negócios digitais decorrentes.

A maturidade de governança do ambiente evolui naturalmente, uma vez que a camada “Governança e Organização” faz parte do road map. A figura a seguir representa um road map de uma situação fictícia para ilustrar o conceito, consistindo na cobertura das lacunas identificadas entre a situação atual, em amarelo, e a situação desejada, em verde:

Essa é uma forma de trazer à consciência os impactos organizacionais decorrentes da necessidade de uma maior integração digital, de forma a subsidiar a definição da estratégia e, assim, evoluir as diversas camadas da organização para obter os resultados desejados.

Essa necessidade de evolução da integração digital também ocorre na esfera das nações. Um exemplo é a União Europeia, onde está sendo implementada a infraestrutura de serviços digitais federados, o GAIA-X, que consiste em um ambiente no qual provedores de serviços de TI podem publicar seus serviços de “everything IT” para que as organizações deem conta de estruturar seus processos de negócios digitais, orquestrar os serviços de TI do “open everything” e ofertar serviços de negócio digitais a seus clientes internos e externos, com segurança e conformidade em relação aos padrões vigentes na UE (European, 2021).

Referências

European, Gaia-X. 2021. Gaia-X A Federated Secure Data Infastructure. Gaia-X. [Online] Gaia-X European, 2021. [Citado em: 21 de 06 de 2021.] https://www.gaia-x.eu/.

Group, The Open . 2020. The Open Group Service Integration Maturity Model (OSIMM) Version 2. The Open Group. [Online] The Open Group, 2020. [Citado em: 21 de 06 de 2021.] http://www.opengroup.org/soa/source-book/osimmv2/p1.htm.

Group, The Open. 2021. The TOGAF® Standard, Version 9.2 Overview. The Open Group. [Online] The Open Group, 2021. [Citado em: 21 de 06 de 2021.] https://www.opengroup.org/togaf.

ISO/IEC. 2012. ISO/IEC 16680:2012 - Information technology — The Open Group Service Integration Maturity Model (OSIMM). ISO Standards. [Online] ISO/IEC, 2012. [Citado em: 21 de 06 de 2021.] https://www.iso.org/standard/57404.html.

 

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