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Open Everything

Open Everything

O Open Everything, o compartilhamento de dados em todos os setores, vai tornar a economia mundial em uma gigantesca aldeia de dados, agora, legitimamente autorizados e disponibilizados pelos indivíduos. Isso é bom ou ruim? Ainda não sabemos - eu pelo menos. Não que eu seja avessa às inovações, pelo contrário, meu desenho predileto nos anos 60 era os Jetson’s, o que me deixou ansiosa por todas as inovações que seguiram! Meu espírito libertário, no entanto, questiona se a abertura de dados a uma concorrência, mesmo que autorizada pelas pessoas, vai mesmo produzir vantagens tais como o acesso a financiamentos com melhores taxas de juros para os mais pobres ou, na verdade, um cerceamento definido por um algoritmo. Será?

No Brasil, a meu ver, a condição cultural é um entrave para que a autorização de utilização dos dados pessoais seja, de fato, um ato consciente. A confiança inerente ou a pressa, provavelmente já fez você aceitar cookies ou o uso de dados sem ao menos abrir as opções fornecidas em veículos de comunicação ou lojas que você conhece. Quem nunca? Na outra ponta, a falta de disseminação em massa dos direitos do consumidor vai deixar esse tema restrito às camadas mais informadas, causando distorções e uma pressão pela concorrência via telemarketing de produtos e serviços que, por vezes, ocorrem de forma inescrupulosa, como já acontece com os aposentados. De positivo, temos efetivamente a chance de baixar o “custo Brasil”.

No mundo, as aplicações, impulsionadas por startups, ampliam-se por outros setores, como o logístico, abastecimento, energia e saúde, discutindo-se o próprio futuro da inteligência artificial aberta. Claro que o compartilhamento de dados internacional se torna uma estratégia de supremacia e encontra outros desafios, como em países ditatoriais como a China. Torna-se uma “ilha” de um ecossistema próprio e protegido, sem perder de vista a captação de dados externos, utilizando-se de várias ferramentas como o TikTok, por exemplo.

A aplicabilidade é infinita na economia e vai ser maior ainda para os setores que utilizam base de clientes, intermediam serviços e/ou controle como cartórios, administradoras, despachantes ou o setor imobiliário na Construção Civil. Assim como os processos de venda e locação, o conceito de Registradora (que pode arquivar toda a informação do imóvel) e demais dados acessados diretamente pelos interessados, sejam contratantes ou contratados, é totalmente disruptiva, mais eficiente e vai trazer mudanças profundas ao setor.

Está claro que o impacto, tanto no Brasil como no mundo, da padronização de API’s puxada pelo Open Evertything, blockchain e o IoT, são bem-vindos e vão permitir a livre concorrência através da interoperabilidade dos sistemas e empresas. Os benefícios? A experiência do consumidor, a eficiência e a inteligência de recursos com segurança de dados. Ok, mas vale ressaltar que ainda há muitas questões éticas, como o uso dos dados para aumentar custos de planos de saúde, cercear acesso a emprego, financiamento e outras oportunidades sociais.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o mercado vão dar conta dos conflitos de interesses? Será? Eu, com meu espírito libertário, entre fascinada e atenta, aceito compartilhar meus dados para serem manipulados na lógica dos algoritmos e aguardo os próximos capítulos. Como conselheira, resta-me acompanhar e analisar atentamente os possíveis cenários e impactos para orientar decisões rápidas e igualmente disruptivas, se necessário.

Governança & Nova Economia
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