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O que deve pautar a retomada

O que deve pautar a retomada

Ao refletir sobre quais temas da retomada econômica devem impactar o posicionamento estratégico e a tomada de decisão sobre inovação da alta gestão e dos conselhos empresariais, cheguei a cinco tópicos, que vou expor a segui:

1. Diversificação do portfólio de produtos/serviços

Empresas que possuem um único mercado de consumidor final entenderam que é necessário a diversificação de seu portfólio para sobreviver a crises, especialmente de consumo, por meio de bens ou serviços substitutos. Apostar todas as fichas em um único mercado se mostrou muito arriscado, seja no portfólio ou na forma de distribuição. Bancos tiveram que se reinventar e migrar de agências físicas para a internet e a telemedicina avançou e já é uma realidade, com diagnósticos sendo realizados a distância com as tecnologias já disponíveis, para citar alguns exemplos.

2. A digitalização de produtos/serviços

Escolas e faculdades aceleraram o processo de implementação do ensino remoto e descobriram que esse modelo de ensino pode ser bastante efetivo e econômico, mas alguns cursos ainda demandam aulas presenciais por necessitarem de atividades em laboratório, experimentos, etc. O melhor caminho será a diversificação (modelo híbrido), até porque existe uma parte do público consumidor que não renuncia ao consumo e às atividades nos moldes tradicionais (presencial). Apesar de a digitalização ser positiva, cuidados e controles serão necessários para adequar as atividades à segurança e proteção dos dados.

3. Qual é a tolerância ao erro e a cultura de incentivo à inovação?

A inovação sempre foi ligada à tecnologia de forma errônea para a maioria das empresas, especialmente na alta gestão. Associado a isso, existia uma equivocada intolerância ao erro, ao errar e aprender para tentar novamente e fazer algo melhor na sequência. Aprendemos que precisamos inovar e isso não necessariamente requer tecnologia. Além disso, a tolerância ao erro será de fundamental importância como forma de apoio e incentivo à inovação.

4. Adequação de portfólio de produtos/serviços ao “novo normal”

Como podemos adequar nossos produtos e serviços ao novo normal? A forma de consumo mudou. Será que estaremos dispostos a enfrentar uma longa fila para comprar um ingresso, aguardar a sala de cinema abrir, pagar caro em uma pipoca para ficar em um ambiente fechado, com pouquíssima circulação, rodeados de pessoas? Iremos ter como “lazer” passear por corredores de shoppings centers e disputar quase que fisicamente um espaço para almoçar ou lanchar em uma praça de alimentação? Ficaremos horas na sala de espera de um aeroporto para se deslocar para uma reunião de 50 minutos em outro estado?

Esses são pequenos exemplos que devem fazer parte da reflexão dos órgãos estratégicos das companhias. Como o meu produto ou serviço irá se adequar ao novo padrão de consumo? Teremos produtos que irão atender somente ao “novo normal” ou adotaremos um modelo híbrido? Vamos mudar para o meio digital ou continuaremos com lojas físicas? Voltaremos para escritórios, cheios de custos fixos, ou mantermos uma estrutura dinâmica de home office?

5. Qual será o próximo “cisne negro” e o que pode ser feito para minimizar os seus impactos?

Apesar de não ser classificada como “Cisne Negro” pelo criador do termo, Nassim Taleb, a Covid-19 certamente despertará nas pautas de planejamento estratégico uma maior reflexão sobre os riscos sistêmicos que podem ocorrer em cada mercado que possam influenciar negativamente cada modelo de negócio, levando a uma exaustiva reflexão sobre planos de contingência, formas de monitoramento e planos de ação em caso de nova crise. Acredito que haverá dentro de cada estratégia um plano de ação de quem faz o que, quando e a quem reporta em caso de novo risco sistêmico. A prevenção e o estresse da matriz de risco certamente estarão na pauta do planejamento estratégico com uma profundidade muito mais relevante do que então se praticava.

 

 

Governança & Nova Economia
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