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O movimento ágil das empresas para responder à competição

O movimento ágil das empresas para responder à competição

Os próximos dois anos se mostram cruciais para que o Brasil se recupere dos efeitos da pandemia. Contudo, as projeções, em sua grande maioria, apontam para um cenário de aprofundamento da crise econômica que já estamos vivendo.

Empresas certamente continuarão apostando na retomada do crescimento baseado em tudo aquilo que a pandemia já mostrou funcionar. Ou seja, com estratégias baseadas em tecnologia para a otimização dos processos e garantia de crescimento com manutenção (ou até redução) de custos e despesas. Serviços mais digitalizados e acessíveis a todos os clientes, modelos de monetização recorrentes, que ajustem os fluxos de caixa e estratégias de comunicação, de marketing e de vendas, usam, cada vez mais, veículos digitais no processo.

Organizações que fornecem produtos e serviços para as classes de alta e altíssima renda devem retomar seu ritmo de crescimento mais rapidamente, já que essas classes foram as menos prejudicadas ao longo da pandemia e, por consequência, devem retomar seu comportamento de compras e consumo com grande velocidade. A demanda que estava, de certa forma, “reprimida”, deve funcionar como impulsionadora para esse movimento.

Empresas que produzem bens e serviços cujas operações logísticas demandam uma maior estrutura e investimentos devem sofrer os impactos das sucessivas altas nos preços dos combustíveis e da energia. Mas, por outro lado, a pandemia foi essencial para o desenvolvimento de novos formatos de armazenamento, distribuição e entregas. Setores avançaram durante o período de um ano uma evolução que deveria acontecer ao longo dos próximos cinco anos.

Essas mesmas empresas passaram a olhar de forma mais atenta ao consumo fora dos grandes centros urbanos, onde cidades foram “redescobertas” e houve um reequilíbrio entre oferta e demanda. E esse aspecto certamente impactará nas decisões de negócios no pequeno e médio prazo.

Esse olhar mais atento às cidades, que antes nem aparecia em planejamentos de go to market ou de expansão das empresas, novamente se apoiará em estratégias digitais para manutenção ou aquisição de clientes. O crescimento em ritmo acelerado em um país com o tamanho do Brasil, mantendo as margens, em um cenário de alta de preços de serviços e insumos básicos, só será possível com soluções baseadas em tecnologia e digitalização de processos internos e externos.

Startups devem continuar navegando contra a maré em 2022 - ou seja, a crise econômica brasileira e o cenário também negativo no exterior não deverão impactar no fluxo crescente de investimentos. Elas continuarão brilhando os olhos dos investidores com suas soluções inovadoras, de rápida implantação e de crescimento sustentável.

O movimento de open innovation também deve continuar atraindo atenções e trazendo movimentações interessantes nos negócios brasileiros. Para os anos subsequentes, o Brasil talvez não continue sendo tão atraente aos investidores estrangeiros, dependendo de como o mundo também reagir economicamente a pandemia. Por isso, acredito que 2022 deve ser ainda mais movimentado também nos processos de M&A, mostrando uma maior agilidade das empresas para responder à competição.

Um movimento que já começou e que tomou força ao longo da pandemia é um olhar mais atento e real das empresas com as questões sociais, climáticas e de sustentabilidade dos negócios ao longo dos anos. Isso deve se manter e reforçar a necessidade de rearranjos internos que demonstrem um novo posicionamento ou um olhar mais atento das corporações a essas questões. Economicamente, isso deve se traduzir cada vez mais por meio de iniciativas focadas em bioeconomia e economia circular.

Governança & Nova Economia
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