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O inconformismo e “amor” pelo problema, não pela solução

O inconformismo e “amor” pelo problema, não pela solução

É importante entender que, antes da pandemia, o mundo vinha caminhando de forma acelerada nas questões de inovação, adoção de tecnologias e mudanças de comportamentos - tudo isso em um ambiente propicio às startups. O mundo com juros baixos proporcionava inúmeros investimentos em empresas promissoras e, essas por sua vez, desafiavam as grandes corporações que também buscavam se reinventar.  Vivíamos exatamente isso no Brasil.

No início de 2020 com a pandemia, seus mistérios e desafios - uma vez que nenhum de nós sabíamos como lidar com algo tão abrangente e profundo em seus impactos – deparamo-nos com uma situação inusitada que desmontou quase tudo que nos cercava: ela colocou sobre a mesa o melhor e o pior do ser humano, desnudando as oratórias vazias sem interesse. Mudanças de comportamentos, setores desaparecidos, o trabalho em casa, o fim da mobilidade e concentração, o desastre da saúde, as mortes, o medo e os impactos na economia local e mundial.

Também experimentamos situações importantes. Com o objetivo de adaptar seus negócios, vimos o crescimento do comercio eletrônico e do mundo on-line, a adoção de ferramentas de ensino à distância, bem como do trabalho em casa. Enfim, houve uma aceleração bastante significativa na utilização de várias ferramentas. Talvez tenhamos vivido um crescimento de cinco anos em anos.

A interiorização também fez parte desse fenômeno, fazendo com que as cidades passem a focar na infraestrutura, principalmente em saúde e educação. Com isso, vem o desafio logístico de distribuição para uma população mais desconcentrada. Contudo, uma contração econômica profunda foi inevitável, desequilibrando a cadeia produtiva mundial e sua relação com o consumo até que o momento se estabilizasse através de uma vacinação ampla e, por consequência, a diminuição de mortes, o alívio na rede de saúde e a volta do convívio das pessoas, trazendo a retomada econômica.

Essa retomada ocorre de forma agressiva, mas temos que levar em conta a diferença dos impactos, uma vez que os setores econômicos têm suas particularidades. Em especial, temos uma volta mais acentuada no setor de serviços, principalmente em hotéis, transportes, eventos, seguido pelo setor de varejo e, por último, o setor industrial, que está sofrendo pela falta de insumos e reposição de estoques para sua trajetória de volta ao crescimento.

O nível de emprego vem se recuperando, mas a necessidade de uma melhor qualificação é sentida, principalmente nessa adaptação da digitalização. O fantasma da inflação está por aí assustando tudo e todos e o crescimento dos juros pode diminuir o apetite aos investimentos de riscos.

Para os meses que seguem em 2021, temos boas perspectivas. Porém, para 2022, dado o exposto acima e, principalmente, por ser um ano eleitoral no Brasil, talvez tenhamos dificultadas econômicas que nos levam a muita atenção na tomada de decisão.

Assim como a pandemia, em seu ponto positivo, foi um terreno fértil para evolução de produtos, serviços, tecnologias e comportamentos de muitas situações, a retomada econômica, mesmo que com suas dificuldades e inúmeros desafios, nos traz uma visão otimista para o aproveitamento das oportunidades que se avizinham.

O ambiente está propicio ao open finance, à inovação aberta, os corporates ventures e para as grandes empresas que estão buscando inovar e se reinventar. Estamos em um caminho sem volta, tudo e todos estão sendo desafiados a repensar seu significado e a pensar em mudanças.

O que não muda é a velocidade da transformação digital, que já estava em curso e continuará, independentemente do cenário macroeconômico, a visão e o foco do cliente que nos orienta a todos os momentos, nosso inconformismo e amor pelo problema e não pela solução. Seguimos fortes e em frente com a transformação que nosso país necessita e merece.

Governança & Nova Economia
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