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O impacto do open everything na economia brasileira

O impacto do open everything na economia brasileira
Governança & Nova Economia
nov. 29 - 4 min de leitura
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O open everything é um conceito que visa a abertura de dados através de APIs padronizadas, permitindo que os dados sejam reutilizados ou trocados entre diferentes serviços - além de combinados para compor novos negócios. Nesse processo compartilhado, o cliente (o dono da informação) fica responsável por seus dados e autoriza o compartilhamento de acordo com seus próprios interesses. Isso modifica radicalmente o modelo de negócios atual em que as plataformas são donas das informações dos usuários e as compartilham de acordo com o seu modelo de negócios – política de privacidade. O open everything promove um sistema mais inovador ao possibilitar a criação de novos produtos, permitindo ser mais competitivo, pois viabiliza a oferta de melhores serviços; é mais transparente em relação a regras; e, por fim, revoluciona a experiência do usuário, com ofertas mais personalizadas.

O impacto de curto prazo na economia brasileira já é significativo. O open finance, que estrutura o processo de troca de informações no segmento de finanças (banco, seguradoras, etc.), já está em implementação e com regulamentação específica. As inovações de serviços, como o PIX e suas diversas funcionalidades, já são uma realidade (e de muito sucesso). Essas primeiras experiências de inovação demonstram a capacidade do open finance em impactar o mercado.

No longo prazo, quando o processo de compartilhamento de informações estiver estabelecido e regulamentado em outros setores, o impacto vai ser ainda mais significativo, A indústria de saúde, por exemplo, tem um universo de ganhos gigante quando o prontuário do paciente pode ser compartilhado por todos os participantes do processo – médicos, clínicas, laboratórios, hospitais e planos de saúde. Entretanto, o compartilhamento dos dados individuais possibilitará, também, que os sistemas identifiquem os outliers e possam precificar os serviços individualmente com mais precisão para suas demandas.

Nesta situação, podemos ter algumas “injustiças”, em que pessoas com problemas de saúde mais grave serão penalizadas substancialmente nos custos de seu plano, possivelmente tornando-o inviável ao usuário com problemas de saúde crônicos. O que fazer? Colocar essa conta para o Governo? Colocar essa conta na sociedade? A regulamentação terá que levar esses pontos em consideração.

No meu segmento de negócios, intermediação de financiamentos imobiliários, o impacto será muito grande. Hoje, por incrível que pareça, as informações dos clientes buscando financiamentos são manipuladas de maneira individual em cada banco, não levando em conta que uma grande gama de informações para análise do crédito é comum a todas as instituições financeiras.

Além disso, o fato de que, hoje, as instituições tradicionais, que compreendem mais de 90% do volume de financiamentos, não utilizam nenhuma API com seus intermediários (CORBANs), obrigando essas plataformas, quando possível, usarem RPAs ou processos manuais para acompanharem a evolução dos processos de seus clientes dentro das plataformas dos bancos. As APIs e o open finance vão proporcionar um novo nível se serviço para esse mercado que é gigante, movimentando, atualmente, R$ 16,5 Bilhões por mês no Brasil (https://www.abecip.org.br/imprensa/informativos-mensais).

Concluindo, é muito claro para mim que o processo de open everything, que está apenas no começo, trará mudanças radicais na maneira que fazemos negócios hoje. Os modelos tradicionais de plataforma serão colocados em xeque, as inovações vão borbulhar no momento em que compartilharmos as nossas informações, e o que é mais importante: os usuários passam a ser donos e responsáveis pelo uso de suas informações.


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