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O exponencial – e seus investidores – destroem o capitalismo?

O exponencial – e seus investidores – destroem o capitalismo?

Os investidores de risco estão destruindo o capitalismo. A polêmica afirmação foi feita recentemente pelo jornalista de economia Charles Duhigg, egresso da Harvard Business School, em texto para a revista New Yorker. Segundo ele, mesmo a startup que tenha um desempenho horrendo poderá se sobressair em relação a concorrentes se houver investidores dispostos a ajudá-la. Para justificar sua tese, Duhigg cita como exemplo a WeWork, especializada em escritórios compartilhados, cujos altos e constantes investimentos permitiram que a empresa “cometesse um erro selvagem após o outro”, não evitando um fiasco.

Mas será que o modelo deve ser completamente condenado? Assim como quase tudo que envolve negócios e empreendedorismo, não devemos trabalhar com “oito ou oitenta”. A alavancagem de empresas digitais e exponenciais tem seus desacertos, é óbvio, e como cresceu, também cresceram tanto bons quanto maus resultados.

O aumento dos investimentos de risco está ligado a várias causas, até à questão dos juros negativos. Contudo, excetuados os submundos de cripto e de capitais duvidosos, a generalização para o mal também é incorreta. No fundo GooDz Capital, por exemplo, incentivamos um modelo de investimento com crescimento sustentável, além de um cuidadoso acompanhamento liderado pelo meu excelente sócio (e agora também escritor) Dongley Martins – e nossos investimentos vão muito bem, obrigado!
O desafio existe e não é exatamente novo. Para vocês terem ideia, considerei a “avalanche de capital” o primeiro dos fatores de pressão da nova economia na governança no capítulo inicial do meu livro sobre o assunto - e isso já faz três anos. Em todos os setores tem gente boa e ruim. A indústria de investimentos não é uma exceção.

Tecnicamente, a primeira pergunta de uma boa análise de investimento em uma startup deve ser “qual é o economics do negócio?”, ou seja, como a conta unitária de uma venda fica de pé? Mas nem todos perseguem essa resposta e muitas vezes se deixam levar pela espuma do encantamento da inovação. Uma análise correta de CAC (Custo de Aquisição de Cliente) sobre o LTV (Lifetime Value), por exemplo, ajuda a diferenciar o “pecado” temporário de não obtenção de lucro de casos sui generis como a WeWork.

No Brasil, é preciso recuperar a competitividade de nossas empresas, e isso, mais do que nunca agora, passa por estratégias digitais. Mas em um país estigmatizado por nem sempre fazer as coisas de maneira correta, o desafio dobra. Como ter negócios velozes e corretos, então?

Um dos pontos fundamentais é a governança, com a qual temos trabalhado fortemente em Gonew.co — não só para criar modelos joviais e simples, mas para gerar um novo mercado de conselheiros com repertório de inovação e “algum controle”. É preciso também maior abertura dos modelos para conselheiros independentes em momentos em que, tradicionalmente, os fundos e investidores anjo ou semente dominam os maiores direcionamentos das empresas joviais.

Nesse ponto, sou otimista. Os maiores fundos brasileiros sabem disso e alguns deles, inclusive, como a Hards, Bossa Nova, Honey Island e o próprio GooDz Capital, entre outros, estabeleceram acordos com a Gonew.co para que suas startups recebam Conselheiros de Inovação Certificados (e independentes) pelo Programa C2i, o primeiro programa brasileiro de certificação do tema, que promove um mergulho real em conselhos de startups e empresas que precisam se transformar, formando o que chamamos carinhosamente de "advisors". Inclusive, se você, empresário de pequena, média empresa ou startup, entende a importância desse apoio e gostaria de participar desse processo, inscreva-se gratuitamente clicando aqui.

Os primeiros resultados do programa nos deixaram eufóricos, pois foram capazes de gerar um impacto incrível nos sócios, empreendedores e times fundadores das empresas que se envolveram nessa empreitada conosco. Vale alguns exemplos reais.

Marcelo Pinhel, CEO da Favo Tecnologia, que desenvolve soluções para o cultivo protegido em estufas, conta que a partir da atuação da advisor Andrea Weichert, o negócio — que opera na lógica de “errar rápido e adaptar-se rápido” — cresceu, e de forma mais consistente. “A presença de gente com experiência na companhia foi fundamental para o crescimento, com auxílio na estruturação fiscal, legal, ajuda na motivação da equipe e novas rodadas de captação” disse.

Com Cristian Rocha, CEO da Robô Laura, que ajuda hospitais e clínicas de saúde a evitar danos e reduzir custos por meio de análises preditivas, os advisors Flávio Takaoka e Luiz de Lucca realizaram o mapeamento sobre a governança da companhia, que o empreendedor considera um item essencial para que a organização possa crescer de maneira escalável e suportável. Esse mapeamento, afirma Rocha, com certeza vai ajudar a Robô Laura a chegar mais longe!

Já Anderson Soares Pires, sócio-administrador da 2Metric, que desenvolveu um sensor que identifica contaminações na água em tempo real, sem necessidade de laboratório, amostragens e pessoal em campo, comenta que o apoio das advisors Patricia Rego e Vera Secaf levou a empresa a avaliar suas deficiências e necessidades. Ainda está ajudando a companhia a implementar um conjunto de processos, condutas, costumes e políticas para garantir que atuem em conformidade com as boas práticas de governança.

Se as empresas digitais destroem o capitalismo, são elas que também arregaçam as mangas e interferem no sistema por meio dele mesmo. É claro que, até aqui, demos poucos passos, e os desafios são enormes. Mas esses passos nos mostraram que é possível inspirar um modelo melhor, de advisors independentes, com repertório de inovação, e de uma governança jovial, reunidos para gerar empresas tanto velozes como corretas. Esse é a essência do propósito #SpeedAndSomeControl para criar controles voltados ao futuro. Os desafios de conectar o mundo são enormes. E você está convidado a se juntar a nós.

Governança & Nova Economia
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