[ editar artigo]

No Brasil e no mundo, inovação ainda é para poucos

No Brasil e no mundo, inovação ainda é para poucos

Baseando-me em leituras e discussões, observo no Brasil uma heterogeneidade de posições quanto à inovação, assim como no restante do mundo. Enquanto países como Canadá, Estados Unidos, Israel, Inglaterra, Alemanha e China despontam como nações com atitudes inovadoras, localidades da América do Sul, África e Oceania ficam para trás nesse quesito. Olhando internamente, verificamos no Brasil setores, empresas e estados com estratégias e posicionamentos distintos em relação à inovação.

O Fórum Econômico Mundial, por meio de seu Relatório Mundial de Competitividade - Versão 2019, listou as economias mais inovadoras do mundo. A Alemanha ficou em primeiro lugar entre 141 países, os Estados Unidos ficaram em segundo e a Suíça ficou com a medalha de bronze. E o Brasil? Ficamos na 40ª posição do ranking. E se avaliarmos os demais pilares elencados como relevantes para a competitividade, caímos para o 71º lugar. Segundo informações do Ministério da Economia, a meta é alcançarmos a 50ª posição em 2022.

Será que esse relatório já evidencia nossas diferenças no posicionamento estratégico em comparação com o restante do mundo? 

Aí, chega a pandemia de Covid-19. Desesperadas pela sobrevivência, empresas buscam formas alternativas para não fecharem as portas, manterem seus negócios e darem conta de seus clientes. Atropelam-se no home office, sem cultura, respeito ou regras de convivência, como forma de manterem seus funcionários ativos e se relacionando. “Descobrem” o e-commerce e o delivery como meio de atender aos clientes. Uma verdadeira revolução digital em menos de seis meses... Será?

Ora, sabemos que a inovação é um processo longo, uma jornada de longo prazo, que se baseia em vários pilares, com a presença da cultura organizacional, liderança, estratégia, conhecimento e tomada de risco. Nenhum deles se transforma ou se executa tão rapidamente. E quando precisamos sobreviver, que é o que está acontecendo no momento, dificilmente pensamos no longo prazo, nos próximos cinco, 10 anos, quando o processo de inovação acontece.

Claro que temos empresas que demonstram claramente uma estratégia de longo prazo, mas isso não aconteceu ontem, não se iniciou em 2020. Um exemplo claro é a Magalu, que vem nessa vertente há muito tempo. Um marco foi a escolha de seu atual presidente, Frederico Trajano, que já atuava na empresa como incentivador e responsável pela área de vendas online desde 2000 (sim, há 20 anos), sendo que a primeira loja virtual da empresa foi lançada um ano antes, em 1999. A companhia continua atuando nesse processo com coerência, consistência e, também, por meio da inovação por M&A.

Observamos um Brasil que não investe em infraestrutura como necessita, não oferece condições de ensino, que desestimula o processo cientifico, não atrai investimentos estrangeiros de longo prazo. Vemos, ainda, grandes empresas com um verdadeiro conflito de agência, interesses de curto versus longo prazo, nas quais o Conselho é o grande árbitro para assegurar a sustentabilidade e a perenidade da companhia mas ainda desconhece o que é inovação, não sabe lidar com a inovação aberta por meio das startups.

São pequenos exemplos que demonstram que o país carece de um plano estratégico para inovação que dê conta de unir toda a sociedade civil, empresas e governo num compromisso único e de longo prazo, voltado a metas e investimentos nos alicerces e no desenvolvimento de um mindset e de atitudes inovadoras por parte de todos stakeholders. Não podemos sobreviver com pequenas gotas de exemplo em um grande oceano que se transforma.

Governança & Nova Economia
Gaspar Carreira Jr, MBA, CCI/IBGC
Gaspar Carreira Jr, MBA, CCI/IBGC Seguir

Executivo de Finanças, Conselheiro certificado pelo IBGC, ICSS e CELINTBRA, experiência nos mercados de Telecom, Varejo, 3º Setor, Previdencia Complementar em empresas nacionais, multinacionais e startups. Atua também como Investidor Anjo.

Ler conteúdo completo
Indicados para você