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Estamos preparados para uma onda de open everything?

Estamos preparados para uma onda de open everything?
Governança & Nova Economia
jul. 2 - 3 min de leitura
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Depois da entrada em vigor da LGPD, que tem como principal objetivo proteger os dados pessoais dos consumidores, começaremos a operar o conceito de open banking, que promete proporcionar mais opções de produtos e serviços financeiros e maior transparência aos consumidores de serviços bancários como empréstimos, cartões e financiamentos.

A ideia central do open banking é o compartilhamento de informações dos clientes entre as instituições financeiras por meio da integração e tecnologias existentes entre elas. Esse compartilhamento promete facilitar a vida dos usuários quando houver a pretensão de comparar taxas para um empréstimo pessoal, por exemplo.

Isso será possível porque atualmente somente a instituição onde o usuário é o cliente detém históricos de pagamentos e transações que possibilitam uma melhor avaliação de risco para futuras transações. Dessa forma, todas as instituições financeiras terão acesso ao histórico do cliente, o que permitirá uma competição mais justa e com maiores benefícios para os próprios clientes.

A contrapartida para usufruir desse benefício é o consentimento quanto ao uso dos dados que deve ser feito pelo cliente, ou seja, o cliente deverá solicitar e autorizar a transmissão dos dados para outra instituição. Na prática, o cliente será o dono dos seus dados financeiros e poderá escolher quando e com quais empresas vai compartilhá-los.

É fato que estamos vivendo um momento único e começando uma discussão bastante relevante sobre a propriedade dos dados. Parece inequívoco o conceito de que os dados pessoais, amparados pela nova LGPD, bem como os dados resultantes das transações realizadas com as instituições financeiras, são de propriedade do cliente e que somente ele pode autorizar o compartilhamento. Mas será que estamos preparados para uma onda de open everything?

Open everything pode ser uma tendência de acompanhamento do movimento do open banking por outros setores. Imagine compartilhar o seu prontuário de saúde com todas as instituições de saúde, ou o seu histórico de utilização de seguros com todas as operadoras de seguro? Ou, ainda, seu comportamento de uso e pagamentos de telefonia entre todas as operadoras de telecom? Quais seriam as consequências e mudanças provocadas por esse movimento tanto para os clientes finais quanto para as organizações?

Para os bons clientes, fica a promessa de melhores condições de contratação e acesso a produtos e serviços exclusivos a partir do acesso a uma plataforma que amplia em muito as opções de consumo e o poder de decisão do cliente. Para os negócios cujos setores aderirem o open everything, o acesso a mais dados pressupõe melhor capacidade de avaliá-los e de formatar novos produtos e serviços altamente customizados.

O open everything trará consigo uma profunda transformação dos negócios na qual prevalecerá uma concorrência muito mais acirrada pela atenção do cliente. A experiência do consumidor será um dos pontos centrais, mas sem dúvida a agilidade e a capacidade analítica de dados serão grandes diferenciais para competir nesse cenário ainda mais veloz e conectado.


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