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Estamos preparados para uma onda de open everything?

Estamos preparados para uma onda de open everything?

Depois da entrada em vigor da LGPD, que tem como principal objetivo proteger os dados pessoais dos consumidores, começaremos a operar o conceito de open banking, que promete proporcionar mais opções de produtos e serviços financeiros e maior transparência aos consumidores de serviços bancários como empréstimos, cartões e financiamentos.

A ideia central do open banking é o compartilhamento de informações dos clientes entre as instituições financeiras por meio da integração e tecnologias existentes entre elas. Esse compartilhamento promete facilitar a vida dos usuários quando houver a pretensão de comparar taxas para um empréstimo pessoal, por exemplo.

Isso será possível porque atualmente somente a instituição onde o usuário é o cliente detém históricos de pagamentos e transações que possibilitam uma melhor avaliação de risco para futuras transações. Dessa forma, todas as instituições financeiras terão acesso ao histórico do cliente, o que permitirá uma competição mais justa e com maiores benefícios para os próprios clientes.

A contrapartida para usufruir desse benefício é o consentimento quanto ao uso dos dados que deve ser feito pelo cliente, ou seja, o cliente deverá solicitar e autorizar a transmissão dos dados para outra instituição. Na prática, o cliente será o dono dos seus dados financeiros e poderá escolher quando e com quais empresas vai compartilhá-los.

É fato que estamos vivendo um momento único e começando uma discussão bastante relevante sobre a propriedade dos dados. Parece inequívoco o conceito de que os dados pessoais, amparados pela nova LGPD, bem como os dados resultantes das transações realizadas com as instituições financeiras, são de propriedade do cliente e que somente ele pode autorizar o compartilhamento. Mas será que estamos preparados para uma onda de open everything?

Open everything pode ser uma tendência de acompanhamento do movimento do open banking por outros setores. Imagine compartilhar o seu prontuário de saúde com todas as instituições de saúde, ou o seu histórico de utilização de seguros com todas as operadoras de seguro? Ou, ainda, seu comportamento de uso e pagamentos de telefonia entre todas as operadoras de telecom? Quais seriam as consequências e mudanças provocadas por esse movimento tanto para os clientes finais quanto para as organizações?

Para os bons clientes, fica a promessa de melhores condições de contratação e acesso a produtos e serviços exclusivos a partir do acesso a uma plataforma que amplia em muito as opções de consumo e o poder de decisão do cliente. Para os negócios cujos setores aderirem o open everything, o acesso a mais dados pressupõe melhor capacidade de avaliá-los e de formatar novos produtos e serviços altamente customizados.

O open everything trará consigo uma profunda transformação dos negócios na qual prevalecerá uma concorrência muito mais acirrada pela atenção do cliente. A experiência do consumidor será um dos pontos centrais, mas sem dúvida a agilidade e a capacidade analítica de dados serão grandes diferenciais para competir nesse cenário ainda mais veloz e conectado.

Governança & Nova Economia
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