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Empresa e home office: uma busca pela inovação e equilíbrio

Empresa e home office: uma busca pela inovação e equilíbrio

*Por Richard Cordeiro de Oliveira

Novos modelos no mundo global imprimem diferentes modificações nos processos de trabalho, rotinas, gestão da informação e gestão de segurança. Entre as novas formas de trabalho surgidas na década de 70 do último século está o home office, trabalho realizado a partir da própria residência, que tem obtido maior proeminência nos últimos anos.

A principal vantagem observada deste sistema é a flexibilidade de horários enquanto a desvantagem mais recorrente a falta de socialização. Percebe-se, na atualidade, muito em parte pelo advento da globalização, novas configurações sociais, econômicas e tecnológicas, as quais fazem emergir profundas modificações no aspecto trabalho. São exemplos dessas modificações a flexibilização da produção, a terceirização da mão de obra, a produção just-in-time, modelos de carreiras com características mais individuais e a maior valorização do capital humano e psicológico no trabalho.

A abertura do mercado em países desenvolvidos para empresas multinacionais e a forma de trabalho em home office, permitida pela internacionalização e descentralização das empresas, caracterizam um cenário com diferentes formas de trabalhar e se apresentam como uma realidade para o trabalho – isto tudo a ser considerado antes da pandemia.

Inevitavelmente, por conta da quarentena e do distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19, muito se fala no trabalho remoto e home office. Diversas empresas e profissionais (inclusive, os que nunca haviam aplicado o modelo de trabalho em casa) estão adaptando as suas rotinas para garantir a segurança e a saúde neste momento turbulento. Aqui já podemos ressaltar algumas vantagens, como a praticidade, a flexibilidade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Entretanto, também há diversos desafios, como a dificuldade de concentração, a falta de rotina e a solidão.

A partir desse cenário, surge a questão: será que existe um equilíbrio entre os benefícios do home office e as vantagens do escritório tradicional? É possível antecipar que esse debate em torno de um direito ao home office chegue rapidamente ao Brasil, principalmente em razão do recente histórico de discussões no âmbito do direito do trabalho, que ocupou tanto o Congresso Nacional quanto a nossa Suprema Corte.

O home office, obviamente, consiste em trabalhar em casa (e isso não é nenhuma novidade). Assim, o profissional pode criar um ambiente específico, com uma estrutura adaptada de escritório, ou apenas ajustar o ambiente da sala ou quarto para trabalhar desses espaços. O ideal é que haja um espaço separado. Já o trabalho remoto, em seu sentido mais amplo, engloba as mais diversas possibilidades. Isso significa que você pode escolher trabalhar:

• Em casa quando precisar;

• Em um espaço de coworking;

• No escritório sede da sua empresa;

• Em um café ou biblioteca etc.

Se colocarmos o aspecto inovação como motor de transformação aliado ao #anywhereoffice nos deparamos com uma via de mão dupla: se a empresa prezar pela diversidade na equipe, a mesma, desenvolverá a diversidade em termos de entregas e soluções. Novos caminhos são encontrados, não é possível alcançar inovação e diversidade de ideias se todos no ambiente tiverem as mesmas percepções e personalidades similares. Assim o aspecto inovação pode contribuir, mesmo porque a empresa via home office entra todos os dias na casa dos seus colaboradores, ou seja, as “personas" se fundiram.

O home office já era uma realidade no pré-pandemia e desde então se transformou em elemento dominante por conta do isolamento físico imposto. Em que escala permanecerá como elemento dominante é ainda difícil de medir, mas já é possível avaliar transformações potenciais que estarão presentes na nova realidade e seus impactos no consumo e no varejo, por isso o vínculo forte com a inovação. A seguir alguns pontos que farão parte do novo contexto com suas implicações econômicas e sociais e que determinarão o redesenho do mercado, gerando reais ameaças e, claro, oportunidades:

As mudanças geográficas do consumo - em duas escalas distintas. Um macro envolvendo a redistribuição dos potenciais de consumo entre cidades, regiões e bairros, e outra micro, envolvendo dentro dos bairros, regiões e mesmo cidades, onde e como ocorrem as transformações.

A reconfiguração da demanda por categorias de produtos e serviços - outra consequência marcante do processo de protagonismo do home-office envolve a demanda e consumo de diferentes categorias de produtos e serviços. Do alimento ao vestuário, dos artigos para escritório aos cuidados pessoais.

Ter ou usar, eis a questão - já era um movimento que se desenhava anteriormente, especialmente para as novas gerações, mas agora tomou formas mais radicais e estruturais. Precisa do carro individual se irá menos vezes por semana para o escritório?

Mais serviços e menos produtos - no pré-pandemia, globalmente, era claro o crescimento dos dispêndios com serviços no mercado global. Quanto mais madura uma sociedade, maiores os gastos com serviços. Do alimento para ser preparado, para a alimentação pronta ou entregue. Os serviços envolvendo educação, lazer, turismo e cuidados pessoais, que cresciam de forma consistente, ficaram contingencialmente reprimidos por obrigação. E não se alterou o desejo de acesso. Apenas foram reprimidos pela contingência e, ao contrário, cresceu o interesse por eles, esperando o momento certo de serem retomados.

De qualquer forma emergiu no quadro geral um comportamento mais conveniente pelos consumidores, valorizando mais o que é oferecido pronto e resolvido, demandando menos tempo para se adequar e adaptar.

Considerando todos os aspectos citados nos parágrafos anteriores, quando se olha como Conselho de Administração (CA), temos os seguintes tópicos:

  • O CA precisa levar em consideração o aspecto horizontal da nova forma de trabalhar;
  • Avaliar os procedimentos de segurança das informações, inclusive, com diretrizes de “blitz" constante;
  • Aspectos legais trabalhistas de suporte ao trabalho remoto (itens + ergonomia + cumprimento de horário de trabalho);
  • Suporte psicológico aos colaboradores;
  • Permissão da faculdade do #anywhere (residência e/ou escritório e/ou outro local);
  • Acompanhamento da produtividade e interação;
  • Acompanhamento da transformação e adesão digital.

 

Governança & Nova Economia
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