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É preciso buscar um diferencial competitivo em meio à pandemia

É preciso buscar um diferencial competitivo em meio à pandemia

A pandemia nos tirou da zona de conforto e aumentou a exposição ao risco das pessoas e dos negócios, até mesmo em cenários que se mostravam muito seguros. Momentos como esse estimulam as pessoas a inovar. Entramos num processo de aceleração jamais visto. Inovar de forma ágil se tornou questão de sobrevivência para muitas empresas e setores, que precisaram buscar alternativas para se manterem vivos.

Tal situação também trouxe aos negócios uma disposição maior para assumir riscos, permitir erros, repensar o status quo e modelos consagrados. Temos que aproveitar o momento e não somente inovar para superar essa situação, mas consolidar as mudanças e ajustar a cultura, a estratégia e os modelos de negócios das nossas empresas. Vou discorrer sobre alguns pontos que considero importantes.

Fortalecimento da cultura e estratégia de inovação nas empresas

Vamos analisar o exemplo da Via Varejo, que no início da pandemia precisou fechar suas lojas físicas, que representavam 70% do faturamento. Há anos a companhia vinha tentando buscar seu espaço no mundo digital, sem sucesso. Por conta do coronavírus, esse processo foi acelerado. Houve uma mudança radical na usabilidade dos aplicativos de vendas (site e apps). Além disso, os colaboradores passaram a atender os clientes diretamente via Whatsapp. Foi realizada uma integração entre o online e o offline que a empresa jamais havia conseguido fazer. A companhia terminou 2020 com um recorde histórico de faturamento: 21% a mais em comparação com o ano anterior.

O Brasil já era um país de alta volatilidade antes mesmo da pandemia de Covid-19, tanto por fatores econômicos quanto por fatores políticos. Muitos de nossos executivos e gestores, portanto, já tinham experiência quanto a incertezas, já precisavam pensar em opções mais criativas de negócios e tomar decisões rápidas.

Esse é o perfil de gestor que tem mais chances de sucesso num cenário de pandemia e pós-pandemia, em que agilidade e inovação passam a ter importância ainda maior. Temos, aqui, uma oportunidade para manter esse nível de aceleração de novos projetos e decisões como parte de nosso diferencial competitivo. Para isso, contudo, precisamos solidificar uma cultura de inovação em nossos negócio, assumindo mais responsabilidade, aceitando mais erros e imperfeições e trabalhando de forma mais colaborativa, dentro e fora da empresa, com clientes, parceiros e ecossistemas de inovação.

Consolidação do Brasil como polo de hubs de inovação

Atualmente, existe uma liquidez de capital inédita e abundante no mercado. Essa disponibilidade de recursos é muito atrativa e faz com que os investidores fiquem motivados a tomar mais riscos, bem como realizem investimentos em maior volume. Há, ainda, uma tendência de manutenção da ajuda por parte dos bancos centrais às economias, levando os juros a valores bem abaixo do histórico.

Tais fatores, aliados à necessidade de aceleração da transformação digital ocasionada pela pandemia, trouxeram ao Brasil um aumento de iniciativas de venture capital. Se avaliarmos os investimentos aportados nas startups em estágios iniciais de negócio no país no ano de 2020, mesmo com o cenário de incerteza e crise, veremos que eles foram 17% maiores que em 2019, segundo o Distrito Dataminer. Temos uma oportunidade única para consolidar o país como um importante hub de startups de alta tecnologia a nível global, principalmente nos setores de fintechs e agritechs.

Aproximação das instituições de pesquisa brasileiras com a indústria

Os recursos aplicados pelo governo brasileiro em pesquisa e inovação representam apenas 1,8% do orçamento anual. Apesar disso, nossa comunidade científica tem uma forte conexão com a comunidade científica global, o que pode ajudar a acelerar a inovação para atender às demandas do país.

Estamos diante de uma oportunidade para construir uma melhor conexão entre pesquisadores e empresas. A pandemia ajudou, inclusive, a estreitar essa relação. Por que, então, não promover a aproximação entre a comunidade científica e os hubs de inovação que estão se consolidando no Brasil?

Governança & Nova Economia
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