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Due diligence: como simplificar, entre riscos e oportunidades?

Due diligence: como simplificar, entre riscos e oportunidades?

A submissão a um processo de due diligence sempre é acompanhada de um temor, tanto por empresas constituídas quanto por startups. Por quê? Será que é uma questão de cultura da informalidade ou falta de organização das pessoas? Considero que, muito provavelmente, as duas coisas. Como founder de duas empresas em 30 anos, apesar de não ter sofrido uma due diligence, de fato, participei de editais públicos de contratação de projetos e também de processos de contratação de empresas multinacionais, extremamente baseadas em compliance. Com isso, separei algumas lições aprendidas em quatro passos, válidas para qualquer negócio em seu início:

1. Criar uma cultura e importância da documentação da empresa com a equipe;
2. Criar uma rotina desburocratizada e local acessível para arquivamento: físico e digital;
3. Definir um responsável para atualização, se aplicável;
4. Cultivar a cultura da transparência e ética transversal aos departamentos.

Estas ações vão permitir unir cultura e organização, rompendo a inércia da informalidade e os acertos verbalizados baseados em relações de confiança e vínculos pessoais - fatores que, predominantes, causam falências nos negócios. O hábito diário e resiliente não vai impedir a velocidade na tomada de decisões ou formar barreiras à inovação em gerenciamentos ágeis.

Sob a ótica de compliance do processo formal de duo diligence, cabe uma abordagem mais adequada a esse mercado, principalmente por conta de processos administrativos ou de operações ainda incipientes, característica de startups. Se cruzarmos o framework de uma due diligence e a realidade das startups, podemos identificar, basicamente:

1. O mapeamento de operações e processos: ainda que não seja exigido com grande detalhamento, a flexibilização para fluxogramas e cronogramas em escala macro de atividades podem, ainda assim, indicar um risco ou até mesmo uma oportunidade de melhoria durante o processo;
2. Processos administrativos: há que se considerar que a formalização legal de contratos esbarra em questões técnicas, financeiras e de timing de mudança de equipe ou sociedade que, por vezes, não refletem a situação real da empresa. Há que se exigir, no entanto, business plan, planos de expansão, contratos com investidores (se houverem) e todos os acordos formalizados atualizados entre todas as partes com total abrangência e transparência. Na contabilidade, a complexidade da demonstração contábil deveria estar atrelada ao perfil e momento de maturação da startup;
3. A avaliação do posicionamento da empresa no mercado, por vezes, não é aplicável e também deve haver procedimentos flexibilizados por maturidade e segmento.

Concluindo, a despeito da necessidade de incluir outras ferramentas de avaliação, como prova de conceito e validação por pesquisas, por exemplo, é fundamental um reset no processo de due diligence que seja estruturado para empresas formalizadas, a fim de não inviabilizar a inovação e crescimento das startups e, ao mesmo tempo, minimizar os riscos de investimentos, trazendo fluidez ao mercado nesses tempos de veloz economia!

Governança & Nova Economia
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