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Diferenças do posicionamento estratégico sobre inovação no pós-pandemia: Brasil vs mundo

Diferenças do posicionamento estratégico sobre inovação no pós-pandemia: Brasil vs mundo

Como vem sendo constantemente apregoado em artigos e lives sobre tecnologia e transformação digital nos últimos meses, a pandemia da Covid-19 motivou um sem número de empresas da chamada “economia tradicional” a acelerarem seus processos de inovação. Ainda que a digitalização não seja a única forma de inovar, talvez essa modalidade de inovação tenha sido a mais aparente durante essa crise global de saúde.

Algumas inovações foram motivadas pela simples questão de sobrevivência, já que para muitos negócios as relações com seus públicos precisaram ser reinventadas. Outras empresas aproveitaram a onda para incrementar suas relações com clientes, oferecendo uma melhor jornada, novos produtos e modelos de comercialização. Houve, ainda, aquelas que resolveram olhar para dentro e focar na experiência do colaborador, nos processos internos ou em como a cultura de inovação é fomentada.

Não é novidade que o Brasil oferece um enorme mercado a ser explorado. Ainda jovem, se comparado com as economias mais maduras, com uma população ainda ávida por consumo, mesmo com as dificuldades de nossa economia nos últimos anos, e uma capacidade de inovação e criação de novos negócios com empreendedores com alto nível de resiliência que talvez seja raro mesmo em nível global.

Mas talvez o maior ofensor em nosso mercado seja o ambiente de negócios ainda extremamente hostil e inseguro. Temos também as relações trabalhistas muito engessadas, um arcabouço fiscal confuso, mercados com regulações esdrúxulas e, como tempero extra, uma relação conturbada entre os três Poderes, criando um ambiente de insegurança jurídica e de instabilidade econômica.

Como dito acima, talvez até possamos colher o benefício do tamanho de nosso mercado e ver nossas empresas saindo fortalecidas dessa crise, mas também pelo exposto acima, provavelmente vamos perder uma oportunidade de diminuir nossa desvantagem competitiva global pelos diversos entraves que nosso ambiente de negócios possui e por conta do modo como os incentivos à inovação são (mal) tratados em nosso país.

Não imagino que em um curto prazo deixemos de ser uma nação de commodities, agregando pouco valor aos produtos “made in Brazil”, e importador de inovação, mas talvez a crise tenha alertado os líderes brasileiros e os comandantes de nossas empresas no sentido de que as forças de mercado podem se transformar e mudar de mãos rapidamente. Quem sabe assim haja maior sensibilidade para que tenhamos um ambiente mais favorável para investimentos em inovações geradoras de valor. Pelo menos é isso o que espero!

Governança & Nova Economia
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