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A pauta empresarial pós-pandemia

A pauta empresarial pós-pandemia

 

Fazer previsões econômicas, especialmente para o contexto brasileiro e no longo prazo, é uma atividade quase que suicida para qualquer economista. Entretanto, parece haver um consenso quanto a uma retomada global e local. A forma e velocidade desta recuperação deve se dar de forma bastante diversa, a depender do segmento e das inúmeras incertezas que ainda rodeiam o ambiente de negócios, quer seja do ponto de vista político, fiscal, monetário ou regulatório.

Neste âmbito de muitas dúvidas, ainda assim podemos arriscar alguns cenários: otimista com aprovações de reformas estruturantes (administrativa, tributária e política), agenda de privatizações e uma oferta de crédito; pessimista, se nada acontecer no curto prazo com as reformas e houver a adoção de uma política econômica opulista, impactando a capacidade de solvência do Estado no tempo e; provável, como um “caminho do meio”, sempre assegurando a costumeira política monetária para controle da inflação.

Assim, é possível apostar em uma retomada em níveis que podem variar de 3% a 6% ou mais, e não é difícil imaginar os desafios que o crescimento traz: falta de mão de obra qualificada, infraestrutura logística, crise de energia, custo tributário, capacidade de consumo das famílias e, ainda, o custo dos insumos já pressionados neste período de pandemia. A falta de capacidade na visão estratégica e de articulação por parte do Governo - que aqui não caberia uma discussão minimamente razoável - tem demandado por parte das empresas e indivíduos o famoso “se vira nos 30”.

É possível verificar que muitas organizações tem sobrevivido - apesar do Governo. Entretanto, o indivíduo como elo mais frágil desta “cadeia alimentar” necessita das instituições privadas (ou não), para uma melhor capacitação e (re)inserção como membro fomentador do ciclo econômico. Então, vem uma pergunta que não quer calar: por onde começar?

Certa vez, de uma plateia de altos executivos surgiu a seguinte pergunta: o que falta para o Brasil? Historicamente, o país tem enfrentado diversas crises, mas esses altos e baixos geraram uma certa acomodação e a cultura do “isto também vai passar”. Mas, quais são as lições aprendidas? Em um ambiente de open alguma coisa, ainda devemos nos apoiar no protagonismo individual?

Alguns defendem a questão cultural e, portanto, muito apoiada na educação como pilar de uma transformação mais efetiva. Outros, na inserção de conceitos como o ESG nos parâmetros empresariais e a assunção do protagonismo pelas empresas para mudança. Mas, como resolver o problema do meu vizinho desempregado, sem a capacitação necessária para sua reinserção no mercado de trabalho? Será que na agenda dos empresários cabe o social, quando ainda estão preocupados com sua rentabilidade no curto prazo?

Talvez o nosso papel, enquanto conselheiros e formadores de opinião, seja o de conscientizar o empreendedor e governo a uma visão mais integral de uma sociedade mais saudável e sustentável a longo prazo, incorporando a educação e o fortalecimento do seu tecido social em primeiro lugar. A partir daí, promover redes de colaboração, além da maior participação nos valores básicos de uma boa governança: transparência, ética, equidade, reponsabilidade e prestação de contas.

O que aprendemos (se é que aprendemos) com esta pandemia? Que apesar dos desafios no curto prazo, há que se moldar o futuro dentro de uma visão mais ampla e global? Que os valores fundamentais se tornam mais relevantes diante da velocidade que a tecnologia nos impõe? Que devemos desenvolver um olhar mais estratégico para a educação? Que a inserção social, qualquer que seja a bandeira, traz mais benefícios para o todo? Que possamos continuar a exercitar o pensamento crítico e nos apoiar na diversidade e sabedoria que emerge do coletivo para refinar nossas escolhas.

Neste ponto, parece óbvio afirmar que a pauta empresarial pós-pandemia deveria focar (ou reforçar) ações para a busca de posições mais resilientes na diversidade, na educação como objetivo corporativo, na governança mais integral e, com isso, aprender a gerir as consequências ou impactos na sociedade, numa visão mais holística e a longo prazo.

Governança & Nova Economia
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