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Transformando crises em oportunidades de crescimento

Transformando crises em oportunidades de crescimento

 

Tendências emitem sinais fracos bem antes de se instalarem. É preciso aprender a ler esses sinais o quanto antes para poder reagir rapidamente e transformar eventuais crises em oportunidades de crescimento.

Esse é o caso da transformação digital que está no horizonte desde antes dos anos 90 e, ainda assim, foi negligenciada por muitas organizações que foram de um momento para o outro catapultadas no universo digital pela pandemia da Covid-19. Algumas empresas reagiram rápido, mas não conseguiram capturar o valor da oportunidade tanto quanto as empresas que já nasceram digitais ou que estavam preparadas para isso, como foi o caso claro do Magazine Luíza.

O mesmo fenômeno deve acontecer com relação ao ESG. O tema também é antigo, porém, somente agora encontra o contexto mais favorável e ganha energia com as pressões da sociedade e com a confirmação da situação alarmante do clima que, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), é causada pela atividade humana. Quem saiu na frente enderençando questões de sustentabilidade, equidade, diversidade e governança corporativa, terá a vantagem reputacional por estar fazendo a coisa certa.

Por outro lado, quem demorar para agir será impactado em um futuro próximo em sua capacidade de captar investimentos e até no desempenho de seus produtos ou serviços. Qualquer estratégia de retomada pós-pandemia precisa, portanto, considerar seriamente esses dois temas, independentemente do setor de atuação.

Focando mais no curto prazo, com a possibilidade de reabertura da economia, dois efeitos podem ser esperados: uma retomada agressiva do consumo reprimido de bens e serviços mais exclusivos, como viagens, entretenimento, automóveis, vestuário, serviços de beleza, e outros bens e serviços destinados às classes mais altas que ficaram represados.

Para esses setores, ofertas de novidades, facilidade de compra e esforço de marketing podem fazer sentido no curto prazo, inclusive com maior elasticidade de preço. É preciso atenção, porém, com a cadeia de valor, pois haverá pressão no fornecimento de matéria prima, componentes e outros insumos para a produção.

Para setores beneficiados pela injeção de recursos como o auxílio emergencial, como supermercadistas e materiais de construção, por exemplo, pode haver uma ressaca no curto prazo. O fim do auxílio emergencial e o agravamento do desemprego para profissionais menos qualificados impôs uma redução importante na capacidade de consumo das classes mais baixas.

Com o nível de endividamento já alto, riscos de maior inadimplência podem afetar diversos setores, especialmente os de bens de consumo e energia, criando, assim, oportunidades para serviços financeiros que aliviem o endividamento ou ofereçam crédito mais barato.

A pandemia pode chegar a um estado de estabilidade no qual saberemos conviver com a Covid-19 e, com isso, a economia poderá reagir. Porém, algumas lições e mudanças de comportamento estão instaladas em definitivo e apresentam oportunidades no médio e longo prazo. Alguns paradigmas e barreiras foram alterados, reformulando a forma como consumimos, educamo-nos, trabalhamos, moramos e nos relacionamos.

O trabalho remoto veio para ficar, evoluindo, provavelmente, para modelos híbridos, em que será possível optar por viver em locais com melhor qualidade de vida, impulsionando o mercado imobiliário fora dos grandes centros e fazendo com que os escritórios sejam destinados a encontros para a construção de cultura. Os grandes pisos em edifícios ultramodernos poderão ser substituídos por vários pequenos pontos de encontro, por exemplo, em coworkings próximos aos locais de moradia dos colaboradores.

Os Shoppings Centers também devem ser impactados, com as lojas se tornando showrooms para entregar experiências com a marca e o espaço se firmando como local de entretenimento.

Para as empresas de tecnologia, a curva continuará ascendente. Serviços de computação em nuvem, videoconferências, segurança da informação, celulares e afins, seguirão puxando a transformação e abrindo espaço para o crescimento de alternativas mais ousadas como a realidade aumentada, realidade virtual, entre tantas outras, turbinadas pela consolidação do 5G.

O setor de delivery e restaurantes deve se ajustar, com restaurantes entregando experiências mais completas e exclusivas. Assim, uma parcela que produz comida de consumo diário migrará de vez para o modelo de delivery, reduzindo os custos de infraestrutura e até mesmo aderindo à modelos de plataforma onde o consumidor poderá compor pedidos com pratos de diferentes fornecedores.

Para a educação à distância, o horizonte deve continuar a ser de crescimento, tendo se mostrado viável também para educação corporativa. Até mesmo nossa forma de consumir saúde abriu espaço para atendimentos online, ampliando o alcance geográfico de serviços antes concentrados em grandes centros.

As mudanças vêm com a centralização de vários fatores, impulsionadas ou não por contingências específicas, como o surgimento de uma pandemia. A vida se reorganiza para se preservar e evoluir. Para dar conta desta complexidade, é preciso aprender a sentir e reagir rapidamente, ajustar a tomada de decisão para múltiplos tiros mais curtos e paralelos, e ajustar a rota ao longo do caminho.

 

Governança & Nova Economia
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