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A necessária mudança de agenda e mentalidade nos conselhos empresariais

A necessária mudança de agenda e mentalidade nos conselhos empresariais

Uma nova realidade estará diante de todos nós em breve. Quando os níveis exigidos de vacinação ao redor do mundo forem atingidos, as restrições preventivas de circulação e medidas de prevenção de saúde para o nosso e os outros países serão suspendidas num futuro próximo. Como consequência, diversos setores da economia, antes totalmente ou parcialmente paralisados, vão retomando as atividades depois de um longo período de estagnação ou operação em níveis inimagináveis.

Somando-se a esse fato a aceleração já em andamento de diversos outros setores menos afetados durante a pandemia, estaremos diante de uma retomada fortíssima. Segundo o FMI, a taxa de crescimento global atingirá patamares jamais vistos, bem acima de 6%, segundo a divulgação do panorama em abril deste ano.

Essa nova realidade vai trazer rapidamente uma mudança para o foco da alta gestão e dos conselhos empresariais. A retomada econômica abandona uma pauta comum da agenda executiva, recorrente nos últimos meses: a agenda emergencial da sobrevivência financeira e da prevenção da vida, reduzida à sobrevivência das empresas, às decisões de curtíssimo e curto prazos para o balanceamento de fluxo de caixa, assim como à atenção para a segurança e à vida de funcionários e comunidades.

É notório que exatamente as mesmas restrições preventivas de circulação e medidas de prevenção de saúde que paralisaram a economia, como os dois lados de uma moeda, foram, também, o gatilho de uma mega aceleração de adoção de novas tecnologias, mudanças de comportamento de consumo e na maneira de ver o mundo, acentuando-se ainda mais as curvas de transformações que serão vistas a partir de agora.

A agenda estratégica da alta gestão e dos conselheiros empresariais, dessa maneira, passa a ser outra: a agenda estratégica de sobrevivência pela relevância, responsabilidade e governança. No âmbito da inovação, a pauta estratégica não deveria se limitar apenas a “não perder o bonde da história”, adotando medidas simplistas seja de transformação digital, seja por programas tímidos de aproximação aos ecossistemas da inovação.

Um cenário novo se abre no horizonte. A disponibilidade relevante de capital barato, as condições de financiamento favoráveis e a expectativa pela sanção presidencial do Marco Legal das Startups trazem condições e alternativas bastante novas, tanto para o crescimento do ecossistema de inovação quanto para a aproximação de empresas para parcerias e investimentos em startups, por exemplo. Paradoxalmente, esse cenário aumentará o nível de cobrança na alta gestão e nos conselhos daquelas empresas que não estiverem preparadas para antever, perceber, entender e acompanhar essas mudanças. Da mesma forma, estarão sob pressão aquelas que não conseguirem colocar em tempo hábil discussões, planos e mudanças estratégicas, tecnológicas, de responsabilidade social e de governança, a fim de que se mantenham atuais e relevantes frente às novas e mais frequentes ondas de transformações.

“Inovar ou morrer”: essa deveria ser a mentalidade e o cerne da agenda estratégica da alta gestão e dos conselheiros empresariais diante dessa nova realidade que vai se estabelecer – para garantir que a respectiva empresa não perca o timing e seja, consequentemente, ou atropelada simplesmente por uma melhor alternativa no mercado ou tornada irrelevante para a sociedade.

Governança & Nova Economia
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