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A jornada da governança em um portfólio de startups

A jornada da governança em um portfólio de startups

Muito se tem discutido sobre o aumento da velocidade da economia e como as empresas tradicionais precisam se conectar neste novo espectro. Tendo isso em vista, algumas empresas decidiram se conectar na nova economia através do investimento em startups como forma de oxigenar o principal negócio, o time e, principalmente, estar inserida no ecossistema de inovação que vem crescendo cada vez mais. 

Como sabemos, investimento de risco requer uma boa estratégia e um bom portfólio. Sendo assim, um dos principais desafios de uma empresa investidora em startups é a governança deste portfólio, bem como das startups investidas. Nesse artigo, vamos endereçar esse tópico com a perspectiva de Corporate Venture Capital que investe na fase seed e como deverá ser a jornada de governança desse portfólio e seu relacionamento com as startups.

Entrando no aspecto estratégico do movimento realizado por empresas familiares, de segmentos tradicionais e grandes corporações ao investirem em startups, o grande catalizador é a conexão com o ecossistema de inovação. Neste sentido, a estratégia de defesa e manutenção do negócio principal deve ser considerada na elaboração do portfólio de startups investidas, exatamente para aproveitar as complementariedades entre a empresa tradicional e a startup, assim como a aplicação do que chamamos de smart money (dinheiro inteligente na tradução literal), em que a empresa que participou da rodada de investimentos também traz uma bagagem de conhecimentos com muito valor para esta fase seed.

Ainda falando sobre a composição do portfólio, deve-se considerar startups que favorecerão a alavancagem e crescimento tanto do negócio principal quanto da perspectiva do portfólio. Novos negócios, novos mercados e novas tecnologias devem ser adicionadas em uma proporção que equilibre o risco da gestão, a fim de que o smart money e o open innovation com a empresa investidora não seja prejudicado, mas pelo contrário, que possibilite a oxigenação e reflexões necessárias para o time de gestão do negócio principal.

Por fim, a análise com a perspectiva de retorno financeiro desse portfólio deve considerar também o risco, retorno e oportunidade dos investimentos realizados, buscando encontrar startups que sejam winners, ou seja, com grande chance de gerarem exits a múltiplos interessados. Com uma composição equilibrada de startups alocadas nessas categorias, a representatividade de cada uma vai depender conforme a estratégia que se busca obter com a iniciativa de investimento.  

Após essa etapa, entramos com a visão de governança desse portfólio, bem como das startups. Considerando a perspectiva de governança BISS, as startups devem apresentar reports periódicos aos investidores com as principais métricas de crescimento do negócio e estruturação de demonstrações financeiras, pois são elas que estarão trabalhando na tração e com perspectivas de captações com Venture Capital mais estruturados. Importante mencionar a necessidade de estruturação de um board of advisors para que se inicie um processo de Governança da própria startup, que deverá ser mandatória em rodadas futuras. Isso também leva a uma regularização de documentos societários, assim como uma estrutura intermediária dos aspectos legais.

Neste estágio de investimento, já deverão ter uma composição de investidores relevantes, sejam de rodadas passadas ou da própria rodada seed, fazendo-se necessária uma estruturação inicial de relacionamento com investidores, muitas vezes sendo realizada pelo próprio CEO ou CFO, sem prejuízo para a fase que a startup se encontra. Ter essa visão é importante o momento de posições de maiores de captação. A empresa investidora poderá manter a relação próxima com os fundadores e startup para apoiá-los de maneira estratégica, gerando empatia e entendimento do processo de empreendedorismo que está em curso.

Após repassar todos os principais pontos de relevância para a construção da governança da startup, automaticamente o processo é refletido na gestão do portfólio, uma vez que irá trazer a segurança de que as documentações iniciais das startups investidas estão regularizadas, que os reports estão vindo para acompanhamento da evolução e que o possível mapeamento de smart money que a empresa poderá contribuir alimentará a visão da perspectiva de retorno que aquele portfólio irá gerar.

Concluímos que um portfólio com a estratégia definida, uma representatividade equilibrada em cada ponto da estratégia e uma governança aplicada mitiga os riscos do capital de risco e dá maior conforto para os patrocinadores da iniciativa dentro da empresa, bem como impulsiona a conexão da empresa com o ecossistema de inovação.

Governança & Nova Economia
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