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A inovação e o sentimento de pertencimento no pós-pandemia

A inovação e o sentimento de pertencimento no pós-pandemia

A pandemia tem potencializado as tendências apontadas no “Relatório Popcorn” (POPCORN, 1993), dentre as quais a dos indivíduos enclausurados que publicam suas personas digitalmente na forma de avatares, que com o tempo se agrupam em temas de seus interesses. Esses grupos menores convergem para temas de maior abrangência, criando clãs e multipolarizações em relação a cada um dos grandes temas da sociedade, como capitalismo versus socialismo, tradicionalismo versus modernismo, economia versus meio ambiente, formalismo versus informalismo, dentre outros.

Durante o período de confinamento que a Covid-19 impôs à sociedade, esses grupos têm delineado com maior precisão suas fronteiras, desenvolvendo seus nichos cibernéticos, que não necessariamente coincidem com os nichos do mundo físico, já que as fronteiras do mundo cibernético consistem em “territórios” de informações aos quais os avatares das pessoas têm interesse em se associar.

O arrefecimento da pandemia e a retomada da economia tendem a acentuar a diferença entre a atuação mercadológica em nichos do mundo físico e a atuação nos nichos do mundo cibernético. Isso não só em relação às fronteiras, mas, principalmente, quanto à natureza das necessidades a serem atendidas, surgindo, assim, oportunidades de inovação em negócios nas duas frentes.

No mundo físico, a inovação associada ao território pode ter um apelo importante junto aos grupos que têm como eixo comum o pertencimento territorial, sejam eles territórios locais, nações ou blocos como a União Europeia (SULLIVAN, 2019). Inovar em aspectos do dia a dia das pessoas, com o consumidor tendo contato físico com a marca da empresa, pode ser uma fonte de vantagem competitiva no momento da escolha do produto ou serviço. Associar suas inovações a nichos cibernéticos com fronteiras semelhantes às do território também pode ser uma fonte de vantagem competitiva junto a esses grupos de consumidores.

Já no mundo cibernético, a inovação está associada a oportunidades de negócio escondidas em comportamentos que não necessariamente são visíveis no mundo físico, como a venda de produtos em jogos online, a monetização de relacionamentos digitais, o escambo digital, a religião digital, as demandas das pátrias digitais e outras áreas de interesse às quais os avatares dos consumidores digitais pertencem. A fonte de inovação no mundo físico é a observação do comportamento das pessoas; a fonte de inovação no mundo cibernético é a observação do comportamento das informações.

Os consumidores do mundo físico e do mundo digital têm algo em comum que norteia a decisão de compra de boa parte do que consomem: a necessidade de pertencimento. A alta gestão que nortear suas decisões de inovações no sentido de explorar as diferentes formas de pertencimento a que seus produtos e serviços precisam ser associados para serem consumidos poderão ter sucesso no mundo físico e/ou no mundo cibernético.

Referências:

POPCORN, Faith. Relatório Popcorn. Rio de Janeiro, 1993.

O'SULLIVAN, Michael. The levelling: What's next after globalization. Hachette UK, 2019.  

 

 

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