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A inevitabilidade dos dados: desvendando o valor dos dados

A inevitabilidade dos dados: desvendando o valor dos dados

Enfim, a consolidação

Com o exercício corporativo em torno dos dados se alcançará a maturidade e a experiência. Com isso, a utilização dessa estrutura traduzida em projetos e entregas ficará cada vez mais visível e tangível. Tudo depende de um espírito inovador e dar um passo em direção às novas práticas de negócio.

Com o tempo será possível perceber que negócio, dados e estratégia digital tendem a convergir em um mesmo ponto, essências de um mesmo fenômeno.

Todavia, pode ser que sua empresa já utilize bem os dados como recurso e ativo, garantindo sua governança e bom uso. Prontamente, a área de recursos humanos está usando dados para designar recursos a tarefas. Efetivamente, o marketing aplica algoritmos para segmentar o mercado para fazer a oferta certa a cada consumidor.

E, com sensatez, os executivos de negócios os utilizem para tomadas de decisão, consultam tendências em análise preditivas para definir mudanças nos preços, ajustes de logística, e cadência de produção.

Então sua preocupação é qual será o próximo nível de excelência.

A jornada de consolidação de uma estrutura robusta que começou com a coleta de dados, passou por sua curadoria e zeladoria, para chegar na efetiva extração de valor desse ativo, provavelmente não vai parar por aqui.

Mas esse é um território que ainda está sendo esquadrinhado.

As empresas que já estão mais avançadas partiram para fazer a automatização dos processos que envolvem dados, permitindo a repetibilidade, e usando inteligência artificial para extrapolar suas possibilidades. Somam se a esses a adoção dos avanços em visualização de dados tornam cada vez mais fácil a interpretação humana.

Seja qual for o resultado, a certeza que temos é o próximo passo também envolverá o uso de dados. Sua aplicação ilumina oportunidades, e oportunidade é valor.

A partir de agora toda empresa relevante é uma empresa de dados e análises, além de seu ofício original. Em vários casos, os próprios dados serão um produto a mais, igualmente passível de gerar receita. Essa interação é tão rica que empresas começam a mencionar seus dados em relatórios anuais. E nem aprofundamos aqui o fato de que muitos produtos adotarão atributos para se tornarem “inteligentes”, gerando ainda mais dados. De fato, esse paradigma oferece às empresas uma possibilidade de expansão do portfólio, e diversificação é valor.

Líderes de negócios experientes que estiverem de prontidão vão encontrar novas maneiras de gerar valor a partir de dados, e aqueles que se apegam a paradigmas desatualizados se tornarão obsoletos. Não demorará muito para vermos mais executivos de tecnologia assumindo a direção de empresas "não tecnológicas". Enquanto isso, fica a recomendação aos jovens profissionais que almejam sucesso nas áreas de negócio que fariam bem em afiar suas habilidades analíticas. Pois, no fim do dia, não basta possuir dados. Grandes líderes são os que usam os dados de maneira eficaz para tomar decisões. Potencializar as pessoas e as capacidades intrínsecas de cada individuo é valor.

No fim das contas, o valor do dado é subjetivo até que possa ser processado e averiguado seu real potencial. Inclusive, sua qualidade também é função de seu contexto, aplicabilidade, idade, variabilidade, facilidade de acesso e uso. Organizações e indivíduos estão cada vez mais afeitos a compartilhar dados, trocando seu valor por benefícios.

Daí a importância de uma avaliação criteriosa do valor dos ativos de dados. Embora hoje possam ser comumente rotulados como ativos intangíveis, cada vez mais será natural precificar dados em função de oferta e procura. Ainda não se consolidou uma metodologia universal de medição de valor em dados, e talvez a subjetividade contribua para que várias técnicas apareçam, mas é importante medir. Nem que seja para educar sua intuição em uma série de estimativas. Treinar seu modelo interno por assim dizer.

Dessa forma podemos percorrer todo o arco virtuoso que a cultura de dados nos proporciona: Dados subsidiam fatos, fatos geram informação, informação se condensa em conhecimento, conhecimento evolui para sabedoria, e sabedoria é o alicerce de qualquer geração de valor.

Outra variável que afeta seu valor é o entorno do dado. Quanto mais saudável é o ambiente em que se encontra, envolvendo aqui regulamentação, questões de privacidade, proteção e ética, mais valorizado e sustentável é esse dado. Há muito o que discorrer sobre todos esses temas, mas trago atenção especial à ética aplicada ao uso de dados que será objeto do próximo e último artigo dessa série.

Leia todos os artigos da série "A inevitabilidade dos dados":

1) A inevitabilidade dos dados: da carência ao diferencial

2) A inevitabilidade dos dados: organizações e dados organizados

3) A inevitabilidade dos dados: desvendando o valor dos dados

4) A inevitabilidade dos dados: ética e dados

Governança & Nova Economia
Marcelo Câmara
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