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A digitalização da Educação seria uma das mais proeminentes alternativas estratégicas para o Brasil?

A digitalização da Educação seria uma das mais proeminentes alternativas estratégicas para o Brasil?

A grande diferença entre o Brasil e o resto do mundo continua sendo sua eterna falta de estratégia e a crise de confiança. Mais agravada do que nunca pelo momento, nossa baixa confiança é evidenciada pelo alto endividamento público brasileiro, pelo complexo ambiente de negócios, pela baixa competitividade relativa, pela grande iniquidade social, pela dependência de parte da população por políticas governamentais de auxílio social, e, principalmente, pelo baixo nível de educação e produtividade da população brasileira.

Se por um lado temos este enorme desafio estratégico a endereçar, por outro temos inegável potencial e forte atratividade internacional. Nosso país possui dimensões continentais, somos ricos em recursos naturais, temos baixa incidência de desastres naturais, somos a sexta população e a nona economia mundial, possuímos o maior aquífero natural do planeta, temos a maior reserva geográfica legal em termos relativos e absolutos destinada à preservação, somos um dos maiores e mais produtivos provedores de alimentos do mundo.

Acrescentamos a tudo isto o brasileiro, com sua reconhecida habilidade em enfrentar situações adversas, afinal nos últimos 100 anos nunca passamos um ciclo sem uma crise de grande impacto. Somos ainda solidários, criativos e flexíveis com alta capacidade de adaptação. Ou seja, inegavelmente o Brasil é um agente de relevância internacional com as habilidades inerentes necessárias para enfrentar ecossistemas turbulentos e incertos.

Mas, claro, falta melhorar o ambiente de negócios, simplificar os processos transacionais, estimular o desenvolvimento econômico, melhorar a gestão de recursos públicos, reduzir a desigualdade social e, principalmente, estimular o conhecimento e desenvolvimento intelectual da população brasileira. Em suma, entendo que estes são os maiores desafios que líderes empresariais e sociais devem endereçar rapidamente com soluções inovadoras e efetivas.

Embora o desemprego, seja ele formal ou informal, catalise os entraves mencionados acima, entendo que no médio prazo teremos uma retomada para níveis mais saudáveis, haja vista que a economia brasileira é fundamentalmente lastreada na “velha economia” que ainda se vangloria de uso intenso de MdO.

Sob o contexto da inovação digital, acredito que talvez este seja um dos maiores potenciais de desenvolvimento de nosso país. E por que tenho esta convicção?

Primeiro porque o brasileiro é naturalmente aberto a experimentar o novo, é simpático a novas tecnologias e as adota com relativa facilidade. Dois exemplos que saltam aos olhos são a adoção de redes sociais e smartphone. Somos cada vez mais conectados. O comércio eletrônico cresce aceleradamente em significância e sofisticação – vide os casos Magalu, Americanas, Via Varejo e NetShoes para ficarmos por aqui.

Segundo, somos um povo sociável, flexível e trabalhador incansável. Terceiro, temos um dos mais robustos e digitalizados sistemas financeiros do mundo e que já passou pelos mais severos “testes de estresse”. São Paulo é o quinto maior hub de fintechs mundial segundo o Index City Rankings 2020 Report elaborado pela Whow! em parceria com a Crunchbase. Como exemplos temos até o momento os casos Nubank e PagueSeguro, sem falar em Bradesco e Itaú, que já alçam voos overseas.

Saindo do campo das fintechs e partindo para o quarto motivo: o Brasil tem sido considerado um campo fértil para code. Já alcançamos atenção mundial e um dos mais recentes cases de sucesso brasileiro é o da empresa VTEX. Em julho passado foi posicionada no quadrante de líderes mundiais em software de e-commerce segundo o IDC¹.

Na mesma linha, a Gartner posicionou a empresa VTEX como líder visionária de Digital Commerce e destacando ainda que há oportunidade de melhoria no quesito execução para então posicioná-la entre as líderes mundiais de SaaS. Um sonho de um dos fundadores da VTEX, Mariano Faria, que comungo e acredito, é que o Brasil se torne referência mundial em programação assim como é no agronegócio.

Mas nem tudo são “flores”. Segundo o World Digital Competitiveness Ranking 2020 elaborado pela IMD, o Brasil ocupa a 51ª posição entre 63 países auditados. Embora tenha subido seis posições em relação ao ano de 2019, é inegável que estamos muito atrasados e temos muito por avançar.

E o avanço deve ser rápido, porque dado os crescimentos exponenciais característicos dos mercados de tecnologia, cada ponto de defasagem incremental em cada período de tempo pode significar a impossibilidade de alcançar o primeiro quartil de líderes mundiais em tecnologia.

Agravando o quadro relatado no parágrafo anterior, como se pode notar na tabela  a seguir, embora o Brasil tenha uma relevância econômica e populacional mundial, nos índices comparativos de educação e desenvolvimento humano estamos posicionados no quartil inferior, o que sinaliza alerta máximo para endereçarmos estas questões.

E para que o Brasil capture este mundo de oportunidades e se posicione entre os líderes mundiais de inovação, todo foco e atenção na educação, bem como na ampliação do repertório de conhecimento dos brasileiros, são primordiais e se tornam condição “sine qua non”.

Inovar é colocar em prática e executar ideias criativas e para isso será necessário figurarmos na classe de excelência mundial na execução de projetos e a partir disto criar um sistema de distribuição do conhecimento com ampliação do repertório nacional.

No contexto de criatividade e capacidade de comunição, entendo que o Brasil possui todo talento necessário, já que fomos considerados o quarto país mais criativo do mundo em 2019 segundo o WARC Creative 100² e há muito já figuramos entre os países mais respeitados no quesito comunicação. Entendo que nos falta sensibilização da importância do uso deste talento brasileiro para ajudar na distribuição de conhecimento relevante.

Como se pode notar no artigo “The future of the world will depend on digitalization”, as grandes potencias mundiais estão focadas na digitalização. Simples notar como a disseminação de conhecimento é fator chave para a prosperidade, que aliada à tecnologia e atitudes que facilitem o processo como um todo são os fatores chaves de sucesso na estratégia educacional. 

Portanto acredito que a Educação é um dos fatores mais relevantes para alcançarmos classe mundial de inovação. E se usarmos nossos talentos naturais, aliados a tecnologia, nós, brasileiros, teremos cada vez mais relevância mundial e de bônus podemos reduzir a iniquidade social!

NOTAS

¹O modelo de avaliação de fornecedores do IDC MarketScape foi criado para promover um visão geral de como as empresas de tecnologia da informação e comunicações se posicionam em determinados mercados. A metodologia de pesquisa utiliza um sistema de pontuação rigoroso baseado em critérios qualitativos e quantitativos, o que resulta em um gráfico que ilustra a posição de cada fornecedor em suas respectivas áreas de atuação. A pontuação de Funcionalidades mede o produto, a estratégia de go-to-market e a capacidade de execução no curto prazo. A pontuação de Estratégia mede o alinhamento das estratégias com as necessidades dos clientes em um período de 3 a 5 anos. O market share dos fornecedores é representado pelo tamanho dos ícones.

²O Brasil ocupa a quarta posição na seleção dos países mais criativos, atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Em 2018, o país havia sido listado na sexta posição do ranking. A lista é a sucessora do Gunn Report e, para chegar aos resultados, utiliza metodologia que mescla: premiações globais (Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions), Clio Awards, D&AD, International Awards e The One Show), festivais regionais (Adfest, Dubai Lynx, El Ojo de Iberoamérica, El Sol, Eurobest, Golden Drum, Loeries e Spikes Asia) e pesquisas com o mercado.

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