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Fase pós-Covid deve ser marcada pela aceleração do empreendedorismo

Fase pós-Covid deve ser marcada pela aceleração do empreendedorismo

O Brasil enfrenta um dos maiores desafios de todos os tempos. Além da pandemia, nosso país está diante de uma crise econômica que se arrasta há meses. Nos encontramos, também, em uma situação de instabilidade política que parece não ter solução a curto prazo. Há, ainda, enorme proliferação de notícias falsas, que causam mais insegurança.

Mas há também pontos positivos. As diferenças do posicionamento estratégico sobre inovação verificadas no Brasil em comparação com o restante do mundo estão no comportamento do povo brasileiro: temos uma capacidade maior de adaptação diante de situações de incerteza, nos destacamos por nossa resiliência e essa característica contribui para a formulação de estratégias para tomadas de decisões que resultam em soluções inovadoras. 

O Brasil é o país mais empreendedor do mundo: três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio, segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. O número é maior que o registrado em países como China, Estados Unidos e Japão.

O perfil brasileiro mostra-se ainda mais importante em momentos como o atual, no qual tudo é marcado por imprevisibilidade. Um estudo desenvolvido pela empresa de dados e inteligência financeira Refinitiv apontou que a maioria das companhias estão experienciando níveis muito elevados de estresse no cenário atual – e o caminho para sobreviver e prosperar nesse cenário é a resiliência.

As dificuldades existem e variam para cada caso, mas são elas que empurram o negócio para o amadurecimento e fazem o empreendedor buscar soluções. Seja ter um sócio com o perfil complementar, montar uma equipe multidisciplinar, contratar serviços de consultorias, ou até mesmo pensar em mentoria e ter conselheiros profissionais – é necessário reconhecer a necessidade de preencher o gap de competências.

O momento atual é de mudança estratégica para enfrentar a crise da melhor forma possível. O medo real trazido pela pandemia do novo coronavírus resulta na inovação.

Um levantamento realizado pela consultoria Twilio, em junho do ano passado, revelou o impacto da Covid-19 sobre a inovação nos negócios. Dos cerca de 2.500 executivos C-Level entrevistados, cerca de 43% responderam que a aceleração observada foi equivalente à de até quatro anos; para 23% deles, os ganhos em inovação foram superiores a 10 anos.

Essa tendência deve continuar na fase pós-Covid, com aceleração ainda maior no empreendedorismo. Empreendedores ganham maior relevância quando desenvolvem modelos de negócios que objetivam atender uma carência de investimento por parte dos governantes (seja na esfera federal ou estadual) em saúde, educação e mobilidade. Além, claro, de outras áreas essenciais para o desenvolvimento e sustentabilidade do nosso país.

Nos próximos meses vamos observar um desenvolvimento cada vez maior em uma cultura de tomada de decisões objetivas e em nível estratégico.  Além disso, com as taxas de juros em um patamar baixo, o olhar sobre o risco será diferenciado, facilitando o investimento em empreendimentos brasileiros, seja ele por parte de investidores nacionais quanto estrangeiros. Esse caminho, portanto, não tem volta! A crise e pandemia de Covid-19 poderão acabar, mas a aceleração do empreendedorismo e inovação vieram para ficar.

Governança & Nova Economia
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