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As mudanças que a inovação exige

As mudanças que a inovação exige

Nunca foi tão importante para o Brasil acelerar. Nós tivemos uma década de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em relação aos outros países, fazendo-se urgente que as nossas empresas mudem a cultura e tragam para a pauta principal do conselho a transformação digital e a inovação.

A pandemia de Covid-19 realizou uma aceleração global nesse processo, que não foi acompanhado integralmente pelo Brasil porque as bases não estavam suficientemente sólidas devido às dificuldades políticas. Por conta disso, o país perdeu uma parte de seu protagonismo.

A transformação digital leva a uma rapidez no processo de adaptação, otimizando os negócios, gerando novos produtos, explorando novos mercados, enfim, configurando-se em um momento ímpar de mudança da cultura empresarial.

Infelizmente, assistimos à entrada de muito capital especulativo no país, ao mesmo tempo em que estamos perdendo a oportunidade de ter o Brasil no protagonismo de história de transformação digital. O esforço é mais das empresas e das pessoas isoladamente do que do governo e das universidades, que não recebem recursos para investir, fazendo com que passemos a não acompanhar o mundo e correndo o risco de perder grandes talentos.

O protagonismo deve vir do mundo empresarial, cabendo ao conselho de administração um papel fundamental neste momento de incerteza extrema. Como guardião da perpetuidade empresarial, o board deve desenvolver uma agenda de transformação, colocando a inovação como pilar.

Há três anos passei por uma experiência interessante ao visitar a fábrica de equipamentos médicos da Siemens na Alemanha. Lá, percebi um painel gigantesco com fotos de várias pessoas, inclusive a de uma mulher, que teve uma ideia simples: ela aumentou o tamanho das vassouras para a limpeza dos galpões, o que levou a empresa a economizar milhares de euros. Ao lado, havia a foto de um homem, o CFO da empresa, que, ao modificar os processos financeiros, levou à economia de milhões.

Perguntei o porquê daquele painel na frente da sala do CEO e a resposta que obtive foi: “todas essas pessoas contribuíram para o processo de transformação empresarial com inovação tecnológica ou mudança de processos”. O mais importante é que, independentemente do valor econômico gerado pela mudança de processo, a valorização das pessoas é igual. Isso gera um clima organizacional propício para motivar a inovação em todas as esferas.

A crise de Covid-19 vai deixar um legado para o futuro das organizações e das próximas gerações: a mudança de comportamento do consumidor será rápida, impondo a adoção de soluções digitais necessárias para que o relacionamento com os nossos clientes aconteça de forma ágil, digital e com muito menos contato físico. As empresas que não acompanharem todo esse processo tendem a desaparecer ao longo do tempo.

Governança & Nova Economia
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